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«Dizem-me que há muitos deuses, porque Deus está em cada um de nós.»

Este foi um livro que li pela primeira vez em 2009 e adorei o tema pela parte cientifica e por ser abordada por um médico que arriscou a sua carreira e reputação a publicar sobre um tema tão… devo dizer “obscuro”.

O dr. Brian Weiss estava a tratar uma paciente com problemas de ansiedade e ataques de pânico e nada funcionava. Medicamentos não ajudavam, hipnose não ajudava, nada parecia surtir efeito.

Fazer uma hipnose para voltar á infância e ver se existia alguma coisa traumatica que explicasse esses ataque de pânico também não resultou.

O dr. Brian Weiss, enquanto a sua paciente estava sob hipnose disse-lhe para ela regressar á altura que tais ataques de pânico começaram e ela começou a descrever a altura em que se afogou, explicando o seu terror de engolir medicamentos.

Este livro merece classificação máxima e recomendo vivamente a toda a gente que o leia, mas aconselho que tenham uma boa base de hipnose primeiro senão poderão não entender o livro na sua totalidade.

Ficam aqui alguns excertos do texto:

«Dizem-me que há muitos deuses, porque Deus está em cada um de nós.»

Reconheci a voz do estado entre vidas, tanto pela sua rouquidão como pelo tom decididamente espiritual da mensagem. Aquilo que ela disse a seguir deixou-me sem fôlego, esvaziando-me os pulmões de ar.

«O teu pai está aqui, e o teu filho que é uma criança pequena. O teu pai diz que o reconhecerás porque o seu nome é Avrom, e a tua filha tem o seu nome. A sua morte também foi por causa do coração. O problema do coração do teu filho também era importante, porque estava ao contrário, como o de uma galinha. Por amor, fez um grande sacrifício por ti. A sua alma está muito avançada… A sua morte expiou as dívidas dos seus pais. Também quis mostrar-te até onde podia ir a medicina, que o seu alcance é muito limitado.»

«Quem» perguntei atabalhoadamente, «quem é que está aí? Quem é que lhe diz essas coisas?»

«Os Mestres» disse-me num murmúrio, «foram os Espíritos Mestres que me disseram. Contaram-me que já vivi oitenta e seis vezes no estado físico.»

E uma vez que tudo aquilo era verdade, seria o meu filho tão avançado espiritualmente como Catherine dissera? Seria verdade que ele tinha concordado em nascer por nós e em morrer vinte e três dias depois para nos ajudar a pagar as nossas dívidas kármicas e, além disso, ensinar-me sobre medicina e humanidade e entusiasmar-me a regressar à psiquiatria? Sentia-me muito encorajado com todos estes pensamentos. No fundo do meu desalento sentia um grande sentimento de amor que se agitava, um forte sentimento de unidade e de ligação com os céus e com a terra.

«Sinto-me livre… livre», murmurou Catherine suavemente. «Estou apenas a flutuar na escuridão… apenas a flutuar. Há uma luz à volta… e espíritos, outras pessoas.»

Perguntei-lhe se lembrava de alguma coisa da vida que acabara de terminar, a vida como Christian.

«Devia ter sido mais indulgente, e não fui. Não perdoei o mal que as outras pessoas me fizeram e devia tê-lo feito. Não perdoei as ofensas. Mantive-as dentro de mim e guardei-as durante muitos anos… Vejo olhos… olhos.»

«Olhos?» repeti como um eco, tendo uma sensação de contacto. «Os olhos de quem?»

«Os olhos dos Espíritos Mestres» murmurou Catherine, «mas tenho que esperar. Tenho coisas em que pensar.» Passaram-se diversos minutos num silêncio tenso.

«Como é que sabe quando eles estão prontos?» perguntei ansiosamente, quebrando o longo silêncio.

Eles hão-de chamar-me», respondeu. Passaram-se mais alguns minutos. Até que, de repente, começou a mover a cabeça de um lado para o outro e a voz, rouca e firme, assinalou a transformação.

«Há muitas almas nesta dimensão. Não sou a única. Temos que ser pacientes. E qualquer coisa que eu também nunca aprendi… Há muitas dimensões…» Perguntei-lhe se já estivera ali antes, se reencarnara muitas vezes.

«Estive em diferentes planos em alturas diferentes. Cada um deles representa um nível de consciência superior. O plano para onde vamos depende do ponto até onde conseguimos progredir…» Mais uma vez estava em silêncio. Perguntei-lhe que lições tinha que aprender para poder progredir. Respondeu de imediato.

«A de que devemos partilhar o nosso saber com as outras pessoas. A de que temos capacidades muito para além das que julgamos possuir. Há quem descubra isto mais depressa do que outros. A de que devemos ter consciência dos nossos erros antes de chegarmos a este ponto. Se assim não for, serão transportados conosco para outra vida. Só nós temos possibilidade de nos libertarmos… dos maus hábitos que vamos acumulando quando nos encontramos no estado físico. Os Mestres não podem fazer isso por nós. Quando optamos por nos opormos e não nos libertarmos deles, iremos transportá-los para uma outra vida. E só quando decidimos que somos suficientemente fortes para dominarmos os problemas externos é que faremos com que eles não existam na vida seguinte.

«Também devemos aprender a não nos limitarmos a aproximarmo-nos das pessoas que têm vibrações como as nossas. É normal sentirmo-nos atraídos por alguém que se encontra no mesmo nível onde nós estamos. Mas isto está errado. Também devemos aproximarmo-nos das pessoas cujas vibrações são diferentes… das nossas. É nisto que reside a importância… de ajudar… essas pessoas.

«São-nos dados poderes intuitivos que deveríamos seguir em vez de tentarmos resistir-lhes. Todos aqueles que lhes resistem irão cair em situações de perigo. Não somos enviados de cada um dos planos com poderes iguais. Algumas pessoas possuem poderes maiores do que as outras, porque estes foram acrescidos noutras alturas. Assim, as pessoas não são todas criadas de igual modo. Mas eventualmente alcançaremos um ponto em que todos seremos iguais.»

Catherine fez uma pausa. Sabia que estes pensamentos não lhe pertenciam. Não tinha qualquer bagagem em física ou metafísica; não sabia nada sobre planos, dimensões e vibrações. Mas para lá de tudo isso, a beleza das palavras e dos pensamentos, as implicações filosóficas destas elocuções – tudo isso se encontrava muito além das capacidades de Catherine. Nunca falara de uma maneira tão concisa e poética. Sentia uma outra força muito superior que se debatia com a mente dela e com as suas cordas vocais para traduzir estes pensamentos em palavras de modo a que eu fosse capaz de compreender. Não, não era Catherine.

A sua voz tinha um tom sonhador.

«As pessoas que se encontram em coma… estão num estado de suspensão. Ainda não se encontram prontas para atravessarem para outro plano… até decidirem se querem ou não atravessar. Só elas podem tomar uma decisão a este respeito. Se concluem que não têm mais nada a aprender… no estado físico… então é-lhes permitido atravessar. Mas se ainda têm coisas a aprender, então, devem regressar mesmo que não o queiram fazer. Para essas pessoas trata-se de um período de descanso, um período em que os seus poderes mentais podem repousar.»

Sendo assim, as pessoas em coma podem decidir se querem ou não regressar, dependendo tudo do grau de aprendizagem que ainda têm que atingir no mundo físico. Se chegam à conclusão de que não há mais nada para aprender, podem seguir diretamente para o estado espiritual, não interessando tudo o que a medicina moderna faça para o impedir. Esta informação adaptava-se perfeitamente às investigações que haviam sido publicadas sobre experiências de quase morte, e às razões pelas quais algumas pessoas decidiam regressar. Havia outras a quem não era dada qualquer possibilidade de escolha; tinham que regressar porque ainda havia coisas a aprender. É evidente que todas essas pessoas entrevistadas sobre as suas experiências no limiar da morte regressaram aos seus corpos. Verifica-se uma semelhança espantosa nas suas histórias. Libertaram-se dos seus corpos e «observaram» os esforços de reanimação de um ponto acima daqueles. Em alguns casos tiveram consciência de uma luz brilhante ou de um vulto «espiritual» resplandecente avistado à distância, por vezes na extremidade de um túnel. Não sentiam qualquer dor. Logo que tomavam consciência de que as suas tarefas na terra ainda não se encontravam terminadas e que tinham que regressar aos seus corpos, este regresso era feito de imediato, e mais uma vez passavam a estar conscientes da dor e de outras sensações físicas.

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